Parece que não me basta.
Ainda que não seja comum, corriqueiro, daqueles esquecíveis. É entrega, desmantelo, mergulho em apneia. É como uma comunhão, um ritual milenar ao qual seguimos à risca sem consulta a manual. Tão intenso quanto natural. Tão natural quanto fora do comum.
Eu rogo por esquecer. A cada final, a cada saída súbita, a cada despedida que se alonga por não se saber a última ou a promessa de outras na sequência - eu peço pelo esquecimento.
Mas ele não vem, o esquecer. Só a vontade frouxa, sem força, natimorta, de não lembrar. E eu sinto falta sem alerta. A saudade eu deixo no disfarce, na surdina, escondida pelo manto das coisas comezinhas do dia a dia.
Porque eu não busquei. Não quis. Não imaginei nos meus passeios oníricos. Sequer reconheci à primeira vista. Do contrário, não encaixava nos meus projetos, não incluía na minha lista; tampouco elaborava planos ou traçava metas.
Como sempre ouvi por aí, chegou do acaso, de repente, sem que esperasse. Apareceu e foi se instalando devagar. Quase fincou bandeira.
Mas não me basta. Como não bastam as noites insones. E é por isso que não posso mais. Não quero mais querer.
Porque me falta a luz do dia. O café da manhã. O "passa a manteiga, por favor". Porque me falta aqui.
Antes, durante e - que desatino - no depois ainda mais.
